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O Sr. Enrico Francavilla!

Conversei agora há pouco por telefone com o nosso grande Enrico Francavilla. Falamos sobre a Semana de Vela de SP que começa amanhã. Eu queria saber sobre os preparativos e da importância do evento para o clube. Ele me respondeu mais ou menos assim:

“O YCSA ta se empenhando para tornar a Semana de Vela em um evento tradicional. São poucos os eventos que conseguem congregar diferentes classes. A Semana de Vela é o lugar onde temos essa interação entre classes. Dai surgem novos contatos, novas tripulações, por isso, entre outras coisas é claro, achamos importante.”

A Semana de Vela é um evento antigo na represa e que se perdeu com o tempo e há três anos atrás a Fevesp fez esforços para retomar o evento. Perguntei se ele já havia participado antes:

“Eu velejo na represa a quase 30 anos. Velejei muito na classe laser e participei de algumas semanas de vela na laser e sempre foram eventos muito competitivos. Eu acho que depois que retomamos as edições da SVSP aqui na represa, a ‘semana’ ainda está aquém do já foi um dia.

Ela precisa se confirmar como algo tradicional. A gente ainda não conseguiu atrair os velejadores para a semana de vela como sendo o evento principal do ano.  Atrativo inclusive para outros estados. E acredito que tenha tudo para dar certo.

Falamos um pouco sobre outras semanas de vela:

“Na oceano, a semana de vela é o evento mais importante do ano. Em muito países os eventos importantes são feitos com esse conceito, ou seja,  uma semana de vela congregando varias classes. Como por exemplo os eventos das classes olímpicas. Como na Alemanha a semana de Kyel, que integra a semana de cultura da cidade com eventos culturais.

Por coincidência,  que a gente pode repetir nos próximos anos, a festa junina do YCSA será durante a semana de vela. Isso tá um pouco dentro desse conceito de reunir diversos eventos, não somente esportivos, mas culturais e folclóricos também.”

Falamos sobre os ossos do ofício de ser o Vice-Comodoro e que resulta na sua participação na Raia 2 no Campeonato Brasileiro de HPE e ele disse o seguinte:

“Este ano infelizmente não vou correr na minha classe, a classe Snipe, mas espero que seja um grande número de barcos pois a classe Snipe é a mais ativa na represa e portanto ela pode ser a grande responsável para ajudar a retomar a tradição e a força da semana de vela. É um campeonato de 8 regatas, portanto é um formato de campeonato grande então tem tudo pra ser um evento muto legal na água.

Em nome do YCSA eu gostaria de desejar boas regatas a todos os velejadores e velejadoras que participarem.”

É isso ai!! Amanhã largada as 13h00! Nos vemos na água!

Alonso López
Classe Snipe São Paulo.

 

 

Falei com o Juninho sobre Sudeste 2019!

Conversei por telefone com o Juninho hoje pela tarde. Eu queria saber sobre as impressões dele em referencia ao campeonato. Afinal, é a segunda vez consecutiva que ele ganha o Campeonato Sudeste Brasileiro de Snipe.

Perguntei sobre as diferenças de velejar no mar da Ilhabela e na represa e ele mais ou menos respondeu o seguinte:

“São posicionamentos diferentes de navegação. As regulagens são diferentes. Já velejei bastante aqui quando era mais novo e mais recentemente velejei de HPE e isso ajudou muito no desempenho das regatas da represa. Aqui na Ilha a gente só treina com vento forte mas a gente precisa aprender a velejar com todo tipo de vento. Sair o vento forte pro vento fraco é um desafio se não estiver treinado.”

Sobre o Rafa:

“O Rafael Carballo é proa do Matheus.  Muda muita coisa a bordo com a troca de proeiro. Foi um pouco mais dificil por causa dessa diferença. Ele não sabe como eu velejo então não deu tempo de treinar tanto assim a ponto de estar em sintonia os dois. Com o Binho e mais natural pois a gente já esta velejando a bastante tempo e com o Rafa eu precisei olhar mais pro barco.”

Perguntei sobre os ventos da represa que nos surpreendem tanto pra mais quanto pra menos em relação a intensidade. Disse pra ele que como “anfitrião” me sinto triste de “não receber” os visitantes que vem de longe com aquele sulzinho constante de 15 kn:

“Quando eu vou pra represa eu já saio da ilha sabendo que pode acontecer de não ter vento. A chance de não ter vento na represa é maior mas isso acontece em qualquer lugar. Não fico decepcionado por que eu já sei que isso pode acontecer.”

Perguntei pra ele por que trocar o Sul Americano em Algarrobo no Chile pelo Sudeste Brasileiro na Represa em Sampa:

“Basicamente por dois motivos. Eu ja velejei bastante de Soto 40 em Algarrobo e eu sabia como seriam as condições de vento no campeonato. Tinha uma previsão de pouco vento e eu estava sem meu proeiro e decidi optar pelo Sudeste que teria uma condição parecida e perto de casa. Alugar barco é muito ruim. Então não quis ir pro Sul Americano. Previsão de mil dólares para alugar um barco que não necessariamente seria um bom barco, sem meu proeiro, longe de casa e com vento fraco. Foram perto de 30 barcos assim como o Sudeste então pra mim a melhor opção foi a represa.”

Perguntei sobre o Mundial na Ilha:

” Para o Mundial to treinando 3 a 4 vezes por semana. Parte física todos os dias. Eu velejo 2 semanas e paro um pouco e depois volto a velejar. Vou velejar com o Coveiro, o Gabriel Portilho Borges,  atualmente ele está em campanha olímpica com Marco Grael na 49er. Ele já ganhou o Mundial do canada em 2013, se não me falha a memória, e o Panamericano de 2014 na proa do Amiguinho.”

“É logico que eu quero ganhar o Mundial, afinal quem não quer. Mas o que eu quero mesmo é velejar bem ‘na minha casa’, isso seria o mais importante pra mim.”

Perguntei dos favoritos:

“Cara sem desmerecer tantos outros grandes velejadores que a classe tem, na minha opinião os favoritos são o Amiguinho, o Xandi e o Bebum. São excelentes velejadores. E os estrangeiros favoritos na minha opinião são o Ernesto Rodrigues que ganhou o Hemisfério ano passado e o atual campeão Raul Rios.”

Bom é isso ai. eu tava num Starbuck qualquer dentro de um shopping, ou seja, altamente deprimente e o Juninho tava em algum lugar da Ilha. Foi um bom bate papo que eu compartilho com vocês!

Um grande abraço a todos e bons ventos!

Alonso López.

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Foto: Mr Mario Val!

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Foto: Não sei! Quem fez a foto me avisa eu coloco aqui! Bons ventos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Súmula Campeonato Paulista

65o CAMPEONATO PAULISTA DA CLASSE SNIPE 2018 at CLUBE DE CAMPO DE SAO PAULO 2019

Súmula e Divisão de Flotilhas

Súmula Provisória até R4

65o Campeonato Paulista da Classe Snipe 2018 – resultados provisórios regatas 1 2 3 4 – versão 1


Divisão das Flotilhas OURO e PRATA

65o Campeonato Paulista da Classe Snipe 2018 – resultados provisórios regatas 1 2 3 4 – versão 1 Ouro e Prata

 


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veja também o album com fotos do Campeonato:

Google Fotos Snipe São Paulo

Súmula Paulista Snipe – R1 e R2

65o Campeonato Paulista da Classe Snipe 2018 – resultados provisórios regatas 1 e 2 – versão 2

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65ª Edição!

Prezadas velejadoras e velejadores da classe Snipe.
Desde o começo deste ano iniciamos uma pesquisa para determinar o numero da edição do campeonato paulista da classe. A pesquisa envolveu os velejadores e velejadoras mais antigos da classe, leitura de publicações antigas, leitura de velhos arquivos e o acervo da FEVESP.
A informação mais precisa que temos é de que o Campeonato Paulista a ser realizado em Novembro deste ano no Clube de Campo São Paulo será o sexagésimo quinto – 65º!
Portanto os convido a participarem do 65º Campeonato Paulista da Classe Snipe!
Seguem abaixo os links do AR e do formulário de inscrição:

ar paulista snipe ccsp 2018 (1)

Inscrições

http://bit.ly/snipeSP2018

Bons ventos,

Alonso López.
Coordenador Paulista da Classe Snipe.
65-paulista-snipe

Uma historia interessante!!

Conversei com a Sibylle Buckup um dia desses sobre as historias incríveis da Classe Snipe  e ela gentilmente escreveu para nós esta daqui!!!

“Historinha interessante sobre um snipe campeão!

Casei com André Sulzbeck (irmão do Dionysio) em 1960. Tendo em vista
que eu já velejava e ele para ser aceito na família Buckup, deveria fazer o
mesmo… Em 1962 resolvemos comprar um SNIPE e eu sugeri um
fabricante novo e muito comentado chamado PEDROCA (Pedro Pena
França), do Rio. André ligou para lá, encomendou o barco e a única
observação que fez foi que o barco fosse azul.
Daí um mês, aproximadamente, Pedroca ligou para nós, informando
que o barco estava pronto e que poderíamos buscar o mesmo no seu
estaleiro. Como iríamos no final de semana ele disse para a gente ir
levantando as lonas de proteção e que o barco azul era o nosso!!! Lá
fomos nós e trouxemos o barco para São Paulo, para o sítio Morangaba.
Correndo as regatas percebemos que o barco andava muuuuuito e
ganhamos uma série delas.
Quem notou isso também foi o REINALDO CONRAD , que pediu o barco
emprestado para correr o mundial, em MÔNACO, em agosto de 1963.
Ficamos meio espantados com esta solicitação e perguntamos a
razão… Reinaldo explicou que o barco tinha novas medidas e uma nova
proa (tudo dentro das regras da classe) e que o barco planava muito bem.
Lógico, em vez de cortar as ondas ele subia e descia delas “surfando”…
Como eu estava grávida e o Reinaldo era um bom amigo, concordamos na
hora e com prazer.
Reinaldo foi com seu irmão RALPH CONRAD, e ganharam este
Campeonato Mundial da Classe Snipe.
Agora que vem o interessante desta história:
Recebemos um telefonema do Reinaldo, lá de Mônaco, informando que a
princesa GRACE KELLY, queria comprar o barco para a Federação de
Iatismo local. A oferta era de U$ 25.000,00.(Vinte e cinco mil
dólares)!!!!!!!!!
Aceitamos na hora e este dinheiro foi o suficiente para comprar o meu
primeiro carro.

F I M”

Snipe de Reinaldo

3 perguntas para o Rene Hornazabal!

Conversei com o Rene logo depois do Sul Americano e resolvemos formalizar a entrevista. Considerando o Campeonato Paulista deste ano que antecede ao Brasileiro e que ambos serão na represa eu achei importante saber a opinião desses caras que velejam pácas!
Segue na integra para vocês!
1. Considerando que as condições de mar e vento são bem diferentes em POA do que são na Ilhabela, como foi o método de treinos que você e o Sidão adotaram para se preparar para POA?
Sabíamos que o campeonato Sul americano ia ser um campeonato bem difícil, com muito nível e a gente não tinha ido correr o Brasileiro em POA. Somado a que não velejávamos desde o Mundial na Espanha em agosto. Realmente não sabíamos com que íamos nos encontrar. Mas treinamos bastante no ultimo mês… tratamos de velejar minimo 3 vezes por semana. Isto nos colocou rapidamente em sintonia um com o outro. Corremos um campeonato interno um mês antes aqui na ilha e ficamos em segundo. Sabíamos que a gente estava rápido mas precisávamos treinar o máximo possível para poder ir bem para o Sul Americano.
2. Conte como foi um momento interessante durante o campeonato!
O campeonato foi bem interessante desde o inicio para a gente, inesperadamente tivemos um muito bom primeiro dia em relação aos rivais, conseguimos fazer duas muito boas primeiras regatas tirando um 3 e 5 , a terceira foi nossa pior regata do campeonato (31). Digo interessante por que a maioria dos bons velejadores tinham feito duas regatas não muito boas, isto já nos colocou numa situação mais de “conforto”, mas nada estava dito ainda. No segundo dia o objetivo era não fazer nenhuma regata ruim e a gente conseguiu! Fizemos 10 e 11… com descarte pulávamos para 5tos na sumula, mas faltava uma regata para entrar o descarte. No terceiro dia foi nosso melhor dia! velejamos muito bem, acertando quase tudo!..Realmente estávamos em aqueles dias!rsrs. Fizemos 2, 5 e 9… uma media muito boa. Voltamos pra terra em 3ros muito perto do 2do e a dois pontos do 4to (xandi). Infelizmente no ultimo dia o vento a e chuva não permitiram que tivesse mais regatas, finalizando o campeonato em 3ro. Realmente muito felizes pelo resultado!
3. Qual sua expectativa para o Paulista de 2018 e o Brasileiro em 2019, ambos na Represa de Guarapiranga?
A gente sempre vai pros Campeonatos com as melhores expectativas. Sempre dando o melhor de nos. A represa para a gente é um lugar muito familiar para velejar, nos sentimos muito “em casa”. Sidão nasceu e se criou lá e pra mim também é familiar pois aonde eu comecei a velejar (San Nicolas, Argentina) a raia é bem parecida, pouca onda e ventos rondados. Esperamos continuar com os bons resultados!

Foi o fim de um grande guerreiro: O barco Ruga!

Esta é uma daquelas histórias que vale a pena registrar. Foi o fim de um grande guerreiro: O barco Ruga! Além de uma surpresa incrível da Classe Snipe.

Estávamos em Porto Alegre para o Campeonato Brasileiro de Snipe. O campeonato tinha 59 barcos inscritos. Da represa de Guarapiranga estávamos em 3 tripulações e somando com o pessoal da Ilhabela e Santos estávamos em aproximadamente 12 barcos.

Essas regatas acontecem em todo mês de janeiro e os melhores competidores ganham uma vaga para o Mundial de Snipe. O resultado disso é que os melhores velejadores do Brasil participam e disputam as primeiras colocações.

O campeonato é aberto e nós amadores podemos participar também. E é uma verdadeira honra largar ao lado e grandes campeões da vela.

Passamos a semana toda no Clube Jangadeiros disputando regatas no rio Guaíba. A velejada no Guaíba é famosa. O vento é muito forte e o rio é raso, o que torna perigosa a velejada já que o mastro dos barcos tem mais de seis metros de altura e se o barco virar e emborcar pode danificar o mastro.

O Daniel, André, Enrico, Frê, Ziege e eu, tripulações da represa de São Paulo, que temos menos experiencia com ondas e vento forte o tempo todo, estávamos ilesos até aquele momento. Nenhum de nós havia capotado o barco ou se machucado. Até aquele momento.

Chegamos ao clube cedo e a previsão daquela sexta-feira era de três regatas com mais de 20 nós de vento. Cada um de nós montava seu barco em silêncio, checando regulagens e verificando possíveis danos das regatas de vento forte dos dias anteriores.
O Ruga estava firme. Eu o havia preparado para o Guaíba. Uma breve reforma que fizera em São Paulo tinha deixado o Ruga feito um tanque de guerra.

O tiro de atenção soou no pátio do Jangadeiros e fomos para a água.
A raia estava longe do clube. Com o vento leste daquela sexta-feira, a raia foi montada na Pedra Redonda. Na velejada para chegar até a raia já sentimos que o vento estava bem forte.

Ouvimos o tiro de 5 minutos para o procedimento de largada. Verificamos o front-puller, o neutro do mastro, o rake, as cruzetas fechadas para aguentar aquele vento todo, estava tudo certo. Faltava um minuto e já nos aproximávamos da linha de largada. Provavelmente escolhemos o lado certo pois estávamos ao lado dos melhores velejadores, e o problema disso é que os caras tem mais destreza no controle do barco naquele ventão. Logo formou-se um paredão de barcos sujando nosso vento bem na hora da largada.

Largamos super mal. Mas com aquela condição de vento e ondas picadas as tripulações do meio da flotilha cometem muitos erros e logo havíamos recuperado nossa largada ruim e estávamos no bolo do meio. Nessa regata tínhamos que fazer dos triângulos, um popa e a chegada num través curto.

Velejamos bem no través. O barco voava naquelas ondas. Ultrapassamos mais de 5 barcos trimando a buja sem o pau antes de entrar no último popa do Ruga.

Estávamos no nosso segundo triângulo e era nossa melhor regata até aquele momento. Vimos alguns barcos virados e os tripulantes tentando desemborcar o barco. Meu grande rival daquela semana, o Mario Eugêneo perdera o leme. As ferragens desencaixaram e estavam a deriva. Foi a única chance que tivemos de ultrapassá-los pois eles velejaram muito a semana toda. Passamos perto deles no contravento e gritamos: “vocês estão bem, precisam de ajuda?”. O Mario fez um sinal e entendemos que  situação estava sob controle. Ziege, meu proeiro, e eu continuamos rumo a boia de barla.

Montamos a boia no meio da flotilha, o que para nós é um grande feito dado o elevado nível técnico das tripulações. Era a nossa última perna de popa antes da chegada em través curto. O vento já havia ultrapassado os 20 nós mas a adrenalina era tanta que já nem sentíamos o peso do barco e dos cabos arranhando as mãos. Conseguimos colocar o pau da buja e o barco voava naquelas ondas do Guaíba. Por precaução nem sequer soltamos o rake para proteger o mastro.

Optamos por diminuir os riscos de virar o barco naquele vendaval e resolvemos apenas arribar na boia deixando o jibe para depois. Mas estávamos nos distanciando da flotilha e precisávamos do jibe para manter a posição.

Não sei dizer se o vento rondou na hora do jibe ou se foi uma onda no costado do barco, mas o fato é que a mestra não veio. Perdemos velocidade e eu insisti no jibe sem esperar a que o barco ganhasse seguimento novamente. Quando a vela mestra finalmente cambou, o tranco adernou demais e o barco virou.

Lembro de ter pulado na bolina antes do mastro afundar. O Ziege também subiu na bolina para desvirar o barco. Em pé na bolina eu olhava para a raia e ainda dava para manter uma boa posição naquela regata. Mas quando o mastro ergueu-se da água, o barco capotou para o outro lado e o mastro afundou de vez no Guaíba.

Com o casco a barlavento, as ondas e o vento enterravam mais e mais o mastro no fundo do Guaíba. A proa balançava muito a ponto que não poder me aproximar sem machucar as mãos. Numa descida de onda consegui segurar o estai de proa. Eu tentava puxar o barco pela prôa mas era simplesmente impossível. Com aquela pressão toda no casco o barco não se mexia nem um centímetro.

Ficamos muito tempo na água tentando puxar a proa até que uma onda mais alta desencaixou o pé de mastro e o mastro atravessou a fibra e arrebentou a enora. Havia um buraco enorme logo abaixo da enora por onde a água começou a entrar. O meu velho Ruga estava afundando.

Eu estava muito cansado e imaginei que o Ziege estaria muito mais. Um bote de apoio recém chegara e pedi para o Ziege subir no bote e descansar. Estava preocupado com o nível de exaustão dele. Consegui embarcar no bote a bolina e o leme. Mas a cada onda o mastro, ainda enroscado nos brandais, quebrava mais fibra e a água entrava cada vez mais rápido no casco do barco.

Finalmente ouvimos um rachar de fibras e o barco emborcou de vez e começou a afundar. Nesse momento chegou mais um bote de apoio. O Peter, um velejador local mergulhou e começou a me ajudar. Ele viu o meu cansaço e me disse para subir no bote. E eu subi mas não pude ficar mais do que um minuto olhando para o Ruga emborcado, todo enroscado com brandais, velas, cabos e afundando pouco a pouco. Mergulhei de novo ao lado do Peter e juntos decidimos cortar os brandais e sacrificar o mastro e as velas.

Talvez tenha sido uma decisão precipitada ou talvez o cansaço de mais de três horas na água prejudicaram o meu discernimento. O barco continuava a afundar lentamente. Chegou a passar pela minha cabeça que o Ruga, mesmo velho, tinha seu sistema de flutuação ainda funcionando, caso contrário ele teria afundado muito mais rápido. Mas eu sentia que ele afundava alguns centímetros a cada instante e não aguentei mais. Cortamos os brandais, o estai de proa, amarramos um cabo no que restou da enora e voltamos para o clube.

Haviam mais de vinte amigos esperando na rampa. Quando chegamos rebocados o Henrique me disse: “Deixa os caras cuidarem do Ruga, você tem que vir na assembleia da Classe. Estão todos te esperando.”

Durante a maior parte da reunião eu não consegui me concentrar. Pensava no Ruga e em alguma forma de continuar nas regatas do dia seguinte. O Rafa Gagliotti tocava a reunião e o Henrique cuidava da ata. Um fio de sangue saia do meu pé e fazia uma poça vermelha no chão e meu pé começou a inchar até parecer uma batata. As regatas do dia seguinte ficavam cada vez mais distantes.

Durante a assembleia, após uma discussão acerca das regras da Classe, decidiu-se manter o Campeonato Brasileiro de 2019 na Represa de Guarapiranga. Foi bom pois deu uma sensação de missão cumprida. Uma missão que começara à um ano atrás quando pedimos o campeonato no Brasileiro da Ilhabela quando estávamos em plena reforma do clube coordenada pelo Beto, deixando-o mais atrativo e apto para receber campeonatos daquele porte.

Durante a reunião a notícia do Ruga se espalhou pelas redes sociais e as mensagens de apoio começaram a chegar. O Rafa e Henrique me convidaram para jantar naquela noite e para me motivar eles me deram de presente um jogo de velas. Entre piadas e outras histórias de naufrágio que eles me contaram eu acabei indo dormir mais calmo.

Durante a noite mal dormida as mensagens de apoio não paravam de chegar. Velejadores e amigos de São Paulo que acompanhavam o campeonato escreviam “Força Alonso” nos grupos sociais.

Quando acordei no dia seguinte, último dia de regatas do campeonato, não fossem as mensagens de apoio eu não teria ido ao clube pois meu pé mal podia encostar no chão de tanta dor.

Cheguei ao clube mancando e tinha um mastro e um pau da buja encostado no barco. Haviam deixado lá de presente para o Ruga. Eu não acreditava naquilo!

Foi então que o nosso querido Lemão me convidou para tomar um café na lanchonete do clube e ele me disse: “Cara, fizemos uma vaquinha com a turma da Classe e resolvemos te dar um barco de presente, você não vai parar de velejar sequer um final de semana!”.

Eu simplesmente não podia acreditar no que estava ouvindo. Vocês conseguem imaginar como é incrível você ouvir de alguém “estamos te dando um barco de presente”?

É uma mistura de contentamento e acanhamento. Creio que jamais poderei retribuir à altura tamanha consideração. Durante a viagem de retorno a São Paulo eu fiquei pensando em como retribuir e cheguei a uma conclusão e acho que é o mínimo que poderia fazer pela Classe.

Eu resolvi o seguinte: Se a Classe me deu um barco de presente então eu vou dar um barco de presente para a Classe. Resolvi que o Ruga de hoje em diante será o barco da Classe Snipe de São Paulo. O Ruga, depois de reformado, será o barco escola e estará disponível para aulas, regatas e velejadas para quem queira conhecer a classe.

Acho que depois de tudo o que aconteceu, isso é o mínimo que poderia fazer, e ainda vou ficar devendo. Do fundo do coração, obrigado, obrigado e obrigado a todos vocês.

Alonso López
Coordenador Classe Snipe em São Paulo.

 

Calendário SNIPE 2018!

Este ano começa com algumas novidades promovidas pela FEVESP. A primeira delas é o pagamento da anuidade de R$ 220,00 para a classe Snipe. Esse valor dá direito a participação nas regatas chamadas RANKING DE GRUPOS e que são ao todo quatro séries ao longo do ano conforme o calendário.
Vejam que somos do GRUPO das classes OLÍMPICAS e PANAMERICANAS. A Fevesp criou outros 5 grupos: MONOCASCOS, NACIONAIS, OCEANO, CATAMARÃS e JUVENIL.
Com o pagamento da anuidade, o velejador fica automaticamente inscrito para essas regatas de RANKING. As demais regatas de clubes, como taças e copas, são pagas à parte e quem define isso é o clube que sedia a taça ou copa.
De acordo com a FEVESP, é importante lembrar que a anuidade é obrigatória para aqueles que irão correr o Campeonato Brasileiro ainda que este ocorra em outro Estado.
O nosso Campeonato Paulista também está incluso na anuidade com a diferença que poderemos cobrar um valor adicional para manter o padrão do campeonato como prêmios bacanas, fotógrafo, canoa de cerveja, etc e tals.
Gostaria de dizer a vocês que durante os meses de desenvolvimento do calendário tivemos diversas reuniões e encontros com diretores de vela, gerentes de clubes e coordenadores de classe e posso afirmar que todos juntos fizemos o maior esforço possível para manter ao menos uma regata barla-sota de snipe ao mês atendendo às mudanças estabelecidas pela Fevesp e ao mesmo tempo ao desejo de cada clube em sediar campeonatos tomando o cuidado de não estressar as raias com excesso de regatas.  Teremos apenas o mês de março e agosto com duas regatas e no pouco tempo ocioso que teremos, poderemos realizar clínicas e treinos para melhorar nosso nível.
Além disso temos uma situação provisória quanto ao Sudeste que será definido na assembléia do Brasileiro e o Juvenil de Snipe que ainda precisa de uma definição no calendário.

Quanto à anuidade do proeiro e outras possibilidades:

1. se o proeiro não fo r velejador de outra classe ele pode contribuir com o timoneiro que já pagou R$220,00;
2. se o proeiro for velejador de laser (por ex.) e ele já pagou a anuidade como laser, então ele está OK, porém o timoneiro pagará R$220,00 mesmo assim;
3. se eu velejo de oceano e sou timoneiro de snipe, os meus R$220,00 já valem para as regatas de oceano das quais participarei;
4. se eu sou timoneiro mas costumo trocar de proeiro com frequencia, os meus R$220,00 que paguei cobrem todos os meus proeiros;
5. Sou timoneiro de snipe e já paguei R$220,00 mas quero me federar em outra categoria para timonear no paulista de MT19 ou HPE ou Lighting, basta pagar a diferença.

Bons ventos!
Alonso Lopez.

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